segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

(quase) Um ano depois...

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Quando sentimos lentamente a vontade de viver a ser retirada é um processo difícil de quebrar, as engrenagens estão calcinadas e por mais faça que façamos, há sempre o risco de se partir.
Custa-me distinguir os dias, parecem iguais. Uma música que não sai de loop, tirem a agulha de cima de mim, virem-me para o lado B - um pedido de ajuda, ou uma mensagem de inspiração?
Este ano esqueci-me do meu aniversário, primeira vez que me lembrei da data foi quando vi as iluminações de natal acesas a vaguear pela baixa Lisboeta. Nem sequer me recordo do que aconteceu no meu aniversário no ano passado, os anos queimam com a subtileza de um cigarro num dia de vento.
Senti tanto a vossa falta, se ainda estivesses cá e se um de nós engolisse o orgulho, tornava-se um dia que ficava no calendário.

segunda-feira, 22 de março de 2010

XXI

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Espero que não te importes. Fisicamente, é um processo impossivél de evitar - podemos sim, escondê-lo. Agora, a tua atitude, as tuas manias e a tua personalidade, gritam juventude. A teu lado sugo-te a seiva para me suster, minto, para te acompanhar. Tomara muitos passarem pelas tuas adversidades e saírem de um túnel onde reina enxofre e fogo a cheirarem aos mais belos perfumes frescos. A tua pureza é tão verdadeira, cristalina e inigualável que não parece real, ainda fico por vezes incrédulo como tal ser é possivél na natureza. E na mais desafiante equação matemática, apaixonar-se por um que caminhava no fio da navalha, partido e sujo.
Já te disse quanto te admiro? Já te disse hoje que te amo? Ainda foram as suficientes, nem nunca irão ser.
Faltando presente físico, já te dei o que mais tinha de valor. O meu respeito, a minha lealdade e o meu amor. Dar-te-ia Odes todos os dias, mas a banalidade é perversa.

Parabéns, minha querida.
Espero celebrar-te cada vez mais e melhor, a cada ano que passa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Alcool, Prozac, Nicotina e analgésicos

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Entorpeceu-me a mente, não quero voltar ao estado de apatia em que vivia. Pela primeira vez em anos senti-me vivo. Torna-se díficil de explicar, provavelmente ainda mais entender, mas cresci.
A morte é algo contagioso, não em escala exacta. Fica dentro de nós, corroi-nos e acabamos nós por aos poucos, morrer. Não é minha intenção fazer de Sylvia Plath aqui, perdoem-me os "neo-românticos" tamanha decepção.
Verdade, sinto algo parecido com felicidade, auto-satisfação talvez. Cresço novamente, larguei a infância estropiada, deitei abaixo os muros de flagelo psico-somáticos da adolescência. E rasguei as páginas de amigos, que por eles só fazia pequenas histórias. Arrependo-me? Não muito, apesar admitir que precisei de forças para não cair neles como um sopro num castelo de cartas, mas preocuparam-se e por isso, agradeço. Necessitei do, chamemos-lhe, meu espaço, de forma a não usar o termo solidão pois é algo depreciativo.
É bom estar de volta, sair de casa pela manhã, sentir o sol na cara e ver os drones na sua rotina. Pé ante pé, sinto os musculos a funcionar, escolher um esquema de cores para levar e finalmente lavar a cara e passar uma escova pelo cabelo. Olhando para o espelho, reconheço-me novamente e finalmente, um sorriso tão típico meu.
- És tu...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

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Foi um avião, voou baixo o suficiente para tu sentires os seus motores ruidosos a estalarem-te os tímpanos. Agora fala baixo, só estamos aqui nós, o mundo foi dormir - deus apagou a luz.

- Diz-me o teu segredo mais íntimo, fala-me de ti!
- Eu? Murmurou ele baixinho.
- Só cá estamos os dois, certo?
- Sim.
- Então, conta-me. Diz porquê tanto secretismo.
- Porque te amo e nunca o soube dizer de uma forma credível. É absurdo, eu sei, tantas vezes que o ouvimos na TV, nos livros, na rádio, nunca sabemos o que é - nem explicar, nem demonstrar - e assim assistímos ao seu significado, suavemente, a ir pelo ralo de um qualquer sanitário público.
- Entendo agora porque demoras-te tanto a chegar até mim.
- Não te preocupes, a eternidade ainda agora começou.


domingo, 31 de janeiro de 2010

Revelações 1:12

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Acho que me fartei. Aborreço-me fácilmente e como disse Pessoa: "...ver passar a vida faz-me tédio." - bastante fácil de perceber e adaptar, certo?
Estive a pensar e todos os blogs secretos que tenho, espalhados por vários servidores, nunca me serviram de nada. Queria espalhar algo, queria que alguém aprendesse algo com a minha experiência de vida ou citar-me nas mais diversas situações. Só houve um que foi deveras reconhecido, altamente criticado e comentado - por outras palavras, famoso - mas encerrei-o por motivos pessoais. Foi o único onde me expus como um ser humano, todos os outros foram meros relatos de façanhas, conquistas, destruições, mutilações ou qualquer outras experiências que devido à forma que foram escritas, podiam pertencer a qualquer pessoa mal-ajustada mas ainda funcional na sociedade. Daí nunca ter dado uma face, relatos físicos, sexo a qualquer um deles. Podias facilmente ser tu, como nunca contas-te a ninguém. Honestamente, fartei-me de ser a terceira pessoa, isso irá para o livro que estou a trabalhar. Eu.
Falar de mim, como um "Eu" é difícil, é algo que procuro não abordar no dia-a-dia. Sou um contador de histórias nato, está-me no sangue porque sou bom ouvinte. E, sem querer - expus-me. Sei de coisas que fazem revolver o estomago mais forte, ouvi relatos de amor puro e verdadeiro, daquele que julgamos já não existir. Sim, eu gosto de ouvir histórias, distânciando-me delas com a devida precaução, para não perder a imparcialidade ou ferir-me.

Mas como dizia, acho que me fartei. Vou fazer de conta que sou um de vós, rachar esta carapaça e, talvez quem sabe, um dia arranjar um nome.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Eternidade

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És tu, sempre foste.

Eu é que não sabia onde andavas, sonhava contigo sem saber o teu nome, imaginava tocar-te sem conhecer o teu corpo. Sonhava beijar-te.
Já passaram dois anos e a exactidão é deslumbrante perante os meus olhos, os meus sentidos nunca me enganaram. Apareces-te e com a mesma inércia fui derrubado por imensidão de sentimentos como que chuva em Janeiro.
Agradeço-te cada momento e tento sempre torná-lo o mais proveitoso possível. Espero que percebas isso, mesmo nos meus momentos de fraqueza. Sou apenas humano.
Entendo a sobre-valorização do termo, mas honestamente, amo-te. Tudo o que simbolizas, tudo o que defendes, tudo o que és. Nunca mudes, por favor.

Minha Deusa, minha perdição, minha salvação... Meu amor.
Obrigado.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Formalidades

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Avassaladores, são esses momentos em que sais porta fora e limito-me a ver o rasto do teu cheiro desvanecer pelas brechas das portas e janelas.
Na pele fica o picotado de uma noita fria passada contigo e uma banda sonora que só nós conseguimos ouvir. O tempo é estático, somos nós os criadores do Big Bang - Alpha e Omega - criamos ao mais pequeno toque, à miníma carícia, ao ínfimo beijo. É perfeito, demasiado perfeito para ser terrestre, daí só parte a minha impureza e medo da sua efemeridade.
Completas-me, dás-me a perfeição e consigo sempre arranjar forma de a sabotar e mal consigo perceber que no meu caminho de auto-destruição, arrasto-te comigo - meu Yin - e são nesses momentos que uma lança me atravessa. Fria, deserta e implacável, um pouco como eu.

Perdoa-me, nunca tive nada tão belo nas mãos que tenho sempre medo de o deixar cair.