Quando sentimos lentamente a vontade de viver a ser retirada é um processo difícil de quebrar, as engrenagens estão calcinadas e por mais faça que façamos, há sempre o risco de se partir.
Custa-me distinguir os dias, parecem iguais. Uma música que não sai de loop, tirem a agulha de cima de mim, virem-me para o lado B - um pedido de ajuda, ou uma mensagem de inspiração?
Este ano esqueci-me do meu aniversário, primeira vez que me lembrei da data foi quando vi as iluminações de natal acesas a vaguear pela baixa Lisboeta. Nem sequer me recordo do que aconteceu no meu aniversário no ano passado, os anos queimam com a subtileza de um cigarro num dia de vento.
Senti tanto a vossa falta, se ainda estivesses cá e se um de nós engolisse o orgulho, tornava-se um dia que ficava no calendário.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
XXI
Publicada por Conceptual à(s) 19:26 0 comentários
Espero que não te importes. Fisicamente, é um processo impossivél de evitar - podemos sim, escondê-lo. Agora, a tua atitude, as tuas manias e a tua personalidade, gritam juventude. A teu lado sugo-te a seiva para me suster, minto, para te acompanhar. Tomara muitos passarem pelas tuas adversidades e saírem de um túnel onde reina enxofre e fogo a cheirarem aos mais belos perfumes frescos. A tua pureza é tão verdadeira, cristalina e inigualável que não parece real, ainda fico por vezes incrédulo como tal ser é possivél na natureza. E na mais desafiante equação matemática, apaixonar-se por um que caminhava no fio da navalha, partido e sujo.
Já te disse quanto te admiro? Já te disse hoje que te amo? Ainda foram as suficientes, nem nunca irão ser.
Faltando presente físico, já te dei o que mais tinha de valor. O meu respeito, a minha lealdade e o meu amor. Dar-te-ia Odes todos os dias, mas a banalidade é perversa.
Parabéns, minha querida.
Espero celebrar-te cada vez mais e melhor, a cada ano que passa.
Já te disse quanto te admiro? Já te disse hoje que te amo? Ainda foram as suficientes, nem nunca irão ser.
Faltando presente físico, já te dei o que mais tinha de valor. O meu respeito, a minha lealdade e o meu amor. Dar-te-ia Odes todos os dias, mas a banalidade é perversa.
Parabéns, minha querida.
Espero celebrar-te cada vez mais e melhor, a cada ano que passa.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Alcool, Prozac, Nicotina e analgésicos
Publicada por Conceptual à(s) 17:43 0 comentários
Entorpeceu-me a mente, não quero voltar ao estado de apatia em que vivia. Pela primeira vez em anos senti-me vivo. Torna-se díficil de explicar, provavelmente ainda mais entender, mas cresci.
A morte é algo contagioso, não em escala exacta. Fica dentro de nós, corroi-nos e acabamos nós por aos poucos, morrer. Não é minha intenção fazer de Sylvia Plath aqui, perdoem-me os "neo-românticos" tamanha decepção.
Verdade, sinto algo parecido com felicidade, auto-satisfação talvez. Cresço novamente, larguei a infância estropiada, deitei abaixo os muros de flagelo psico-somáticos da adolescência. E rasguei as páginas de amigos, que por eles só fazia pequenas histórias. Arrependo-me? Não muito, apesar admitir que precisei de forças para não cair neles como um sopro num castelo de cartas, mas preocuparam-se e por isso, agradeço. Necessitei do, chamemos-lhe, meu espaço, de forma a não usar o termo solidão pois é algo depreciativo.
É bom estar de volta, sair de casa pela manhã, sentir o sol na cara e ver os drones na sua rotina. Pé ante pé, sinto os musculos a funcionar, escolher um esquema de cores para levar e finalmente lavar a cara e passar uma escova pelo cabelo. Olhando para o espelho, reconheço-me novamente e finalmente, um sorriso tão típico meu.
- És tu...
A morte é algo contagioso, não em escala exacta. Fica dentro de nós, corroi-nos e acabamos nós por aos poucos, morrer. Não é minha intenção fazer de Sylvia Plath aqui, perdoem-me os "neo-românticos" tamanha decepção.
Verdade, sinto algo parecido com felicidade, auto-satisfação talvez. Cresço novamente, larguei a infância estropiada, deitei abaixo os muros de flagelo psico-somáticos da adolescência. E rasguei as páginas de amigos, que por eles só fazia pequenas histórias. Arrependo-me? Não muito, apesar admitir que precisei de forças para não cair neles como um sopro num castelo de cartas, mas preocuparam-se e por isso, agradeço. Necessitei do, chamemos-lhe, meu espaço, de forma a não usar o termo solidão pois é algo depreciativo.
É bom estar de volta, sair de casa pela manhã, sentir o sol na cara e ver os drones na sua rotina. Pé ante pé, sinto os musculos a funcionar, escolher um esquema de cores para levar e finalmente lavar a cara e passar uma escova pelo cabelo. Olhando para o espelho, reconheço-me novamente e finalmente, um sorriso tão típico meu.
- És tu...
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Publicada por
Conceptual
à(s)
16:36
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Foi um avião, voou baixo o suficiente para tu sentires os seus motores ruidosos a estalarem-te os tímpanos. Agora fala baixo, só estamos aqui nós, o mundo foi dormir - deus apagou a luz.
- Diz-me o teu segredo mais íntimo, fala-me de ti!
- Eu? Murmurou ele baixinho.
- Só cá estamos os dois, certo?
- Sim.
- Então, conta-me. Diz porquê tanto secretismo.
- Porque te amo e nunca o soube dizer de uma forma credível. É absurdo, eu sei, tantas vezes que o ouvimos na TV, nos livros, na rádio, nunca sabemos o que é - nem explicar, nem demonstrar - e assim assistímos ao seu significado, suavemente, a ir pelo ralo de um qualquer sanitário público.
- Entendo agora porque demoras-te tanto a chegar até mim.
- Não te preocupes, a eternidade ainda agora começou.
- Diz-me o teu segredo mais íntimo, fala-me de ti!
- Eu? Murmurou ele baixinho.
- Só cá estamos os dois, certo?
- Sim.
- Então, conta-me. Diz porquê tanto secretismo.
- Porque te amo e nunca o soube dizer de uma forma credível. É absurdo, eu sei, tantas vezes que o ouvimos na TV, nos livros, na rádio, nunca sabemos o que é - nem explicar, nem demonstrar - e assim assistímos ao seu significado, suavemente, a ir pelo ralo de um qualquer sanitário público.
- Entendo agora porque demoras-te tanto a chegar até mim.
- Não te preocupes, a eternidade ainda agora começou.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Revelações 1:12
Publicada por Conceptual à(s) 17:02 0 comentários
Acho que me fartei. Aborreço-me fácilmente e como disse Pessoa: "...ver passar a vida faz-me tédio." - bastante fácil de perceber e adaptar, certo?
Estive a pensar e todos os blogs secretos que tenho, espalhados por vários servidores, nunca me serviram de nada. Queria espalhar algo, queria que alguém aprendesse algo com a minha experiência de vida ou citar-me nas mais diversas situações. Só houve um que foi deveras reconhecido, altamente criticado e comentado - por outras palavras, famoso - mas encerrei-o por motivos pessoais. Foi o único onde me expus como um ser humano, todos os outros foram meros relatos de façanhas, conquistas, destruições, mutilações ou qualquer outras experiências que devido à forma que foram escritas, podiam pertencer a qualquer pessoa mal-ajustada mas ainda funcional na sociedade. Daí nunca ter dado uma face, relatos físicos, sexo a qualquer um deles. Podias facilmente ser tu, como nunca contas-te a ninguém. Honestamente, fartei-me de ser a terceira pessoa, isso irá para o livro que estou a trabalhar. Eu.
Falar de mim, como um "Eu" é difícil, é algo que procuro não abordar no dia-a-dia. Sou um contador de histórias nato, está-me no sangue porque sou bom ouvinte. E, sem querer - expus-me. Sei de coisas que fazem revolver o estomago mais forte, ouvi relatos de amor puro e verdadeiro, daquele que julgamos já não existir. Sim, eu gosto de ouvir histórias, distânciando-me delas com a devida precaução, para não perder a imparcialidade ou ferir-me.
Mas como dizia, acho que me fartei. Vou fazer de conta que sou um de vós, rachar esta carapaça e, talvez quem sabe, um dia arranjar um nome.
Estive a pensar e todos os blogs secretos que tenho, espalhados por vários servidores, nunca me serviram de nada. Queria espalhar algo, queria que alguém aprendesse algo com a minha experiência de vida ou citar-me nas mais diversas situações. Só houve um que foi deveras reconhecido, altamente criticado e comentado - por outras palavras, famoso - mas encerrei-o por motivos pessoais. Foi o único onde me expus como um ser humano, todos os outros foram meros relatos de façanhas, conquistas, destruições, mutilações ou qualquer outras experiências que devido à forma que foram escritas, podiam pertencer a qualquer pessoa mal-ajustada mas ainda funcional na sociedade. Daí nunca ter dado uma face, relatos físicos, sexo a qualquer um deles. Podias facilmente ser tu, como nunca contas-te a ninguém. Honestamente, fartei-me de ser a terceira pessoa, isso irá para o livro que estou a trabalhar. Eu.
Falar de mim, como um "Eu" é difícil, é algo que procuro não abordar no dia-a-dia. Sou um contador de histórias nato, está-me no sangue porque sou bom ouvinte. E, sem querer - expus-me. Sei de coisas que fazem revolver o estomago mais forte, ouvi relatos de amor puro e verdadeiro, daquele que julgamos já não existir. Sim, eu gosto de ouvir histórias, distânciando-me delas com a devida precaução, para não perder a imparcialidade ou ferir-me.
Mas como dizia, acho que me fartei. Vou fazer de conta que sou um de vós, rachar esta carapaça e, talvez quem sabe, um dia arranjar um nome.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Eternidade
Publicada por Conceptual à(s) 19:34 0 comentários
És tu, sempre foste.
Eu é que não sabia onde andavas, sonhava contigo sem saber o teu nome, imaginava tocar-te sem conhecer o teu corpo. Sonhava beijar-te.
Já passaram dois anos e a exactidão é deslumbrante perante os meus olhos, os meus sentidos nunca me enganaram. Apareces-te e com a mesma inércia fui derrubado por imensidão de sentimentos como que chuva em Janeiro.
Agradeço-te cada momento e tento sempre torná-lo o mais proveitoso possível. Espero que percebas isso, mesmo nos meus momentos de fraqueza. Sou apenas humano.
Entendo a sobre-valorização do termo, mas honestamente, amo-te. Tudo o que simbolizas, tudo o que defendes, tudo o que és. Nunca mudes, por favor.
Minha Deusa, minha perdição, minha salvação... Meu amor.
Obrigado.
Eu é que não sabia onde andavas, sonhava contigo sem saber o teu nome, imaginava tocar-te sem conhecer o teu corpo. Sonhava beijar-te.
Já passaram dois anos e a exactidão é deslumbrante perante os meus olhos, os meus sentidos nunca me enganaram. Apareces-te e com a mesma inércia fui derrubado por imensidão de sentimentos como que chuva em Janeiro.
Agradeço-te cada momento e tento sempre torná-lo o mais proveitoso possível. Espero que percebas isso, mesmo nos meus momentos de fraqueza. Sou apenas humano.
Entendo a sobre-valorização do termo, mas honestamente, amo-te. Tudo o que simbolizas, tudo o que defendes, tudo o que és. Nunca mudes, por favor.
Minha Deusa, minha perdição, minha salvação... Meu amor.
Obrigado.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Formalidades
Publicada por Conceptual à(s) 17:23 0 comentários
Avassaladores, são esses momentos em que sais porta fora e limito-me a ver o rasto do teu cheiro desvanecer pelas brechas das portas e janelas.
Na pele fica o picotado de uma noita fria passada contigo e uma banda sonora que só nós conseguimos ouvir. O tempo é estático, somos nós os criadores do Big Bang - Alpha e Omega - criamos ao mais pequeno toque, à miníma carícia, ao ínfimo beijo. É perfeito, demasiado perfeito para ser terrestre, daí só parte a minha impureza e medo da sua efemeridade.
Completas-me, dás-me a perfeição e consigo sempre arranjar forma de a sabotar e mal consigo perceber que no meu caminho de auto-destruição, arrasto-te comigo - meu Yin - e são nesses momentos que uma lança me atravessa. Fria, deserta e implacável, um pouco como eu.
Perdoa-me, nunca tive nada tão belo nas mãos que tenho sempre medo de o deixar cair.
Na pele fica o picotado de uma noita fria passada contigo e uma banda sonora que só nós conseguimos ouvir. O tempo é estático, somos nós os criadores do Big Bang - Alpha e Omega - criamos ao mais pequeno toque, à miníma carícia, ao ínfimo beijo. É perfeito, demasiado perfeito para ser terrestre, daí só parte a minha impureza e medo da sua efemeridade.
Completas-me, dás-me a perfeição e consigo sempre arranjar forma de a sabotar e mal consigo perceber que no meu caminho de auto-destruição, arrasto-te comigo - meu Yin - e são nesses momentos que uma lança me atravessa. Fria, deserta e implacável, um pouco como eu.
Perdoa-me, nunca tive nada tão belo nas mãos que tenho sempre medo de o deixar cair.
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