Acho que me fartei. Aborreço-me fácilmente e como disse Pessoa: "...ver passar a vida faz-me tédio." - bastante fácil de perceber e adaptar, certo?
Estive a pensar e todos os blogs secretos que tenho, espalhados por vários servidores, nunca me serviram de nada. Queria espalhar algo, queria que alguém aprendesse algo com a minha experiência de vida ou citar-me nas mais diversas situações. Só houve um que foi deveras reconhecido, altamente criticado e comentado - por outras palavras, famoso - mas encerrei-o por motivos pessoais. Foi o único onde me expus como um ser humano, todos os outros foram meros relatos de façanhas, conquistas, destruições, mutilações ou qualquer outras experiências que devido à forma que foram escritas, podiam pertencer a qualquer pessoa mal-ajustada mas ainda funcional na sociedade. Daí nunca ter dado uma face, relatos físicos, sexo a qualquer um deles. Podias facilmente ser tu, como nunca contas-te a ninguém. Honestamente, fartei-me de ser a terceira pessoa, isso irá para o livro que estou a trabalhar. Eu.
Falar de mim, como um "Eu" é difícil, é algo que procuro não abordar no dia-a-dia. Sou um contador de histórias nato, está-me no sangue porque sou bom ouvinte. E, sem querer - expus-me. Sei de coisas que fazem revolver o estomago mais forte, ouvi relatos de amor puro e verdadeiro, daquele que julgamos já não existir. Sim, eu gosto de ouvir histórias, distânciando-me delas com a devida precaução, para não perder a imparcialidade ou ferir-me.
Mas como dizia, acho que me fartei. Vou fazer de conta que sou um de vós, rachar esta carapaça e, talvez quem sabe, um dia arranjar um nome.
domingo, 31 de janeiro de 2010
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